1. O que significa viver com HIV hoje?
O HIV é uma infecção crônica que pode ser controlada com tratamento antirretroviral.
O acompanhamento regular permite monitorar a carga viral e a recuperação ou manutenção da função imunológica, especialmente por meio da contagem de linfócitos T CD4+.
Com tratamento adequado e adesão, é possível alcançar a supressão viral. Pessoas vivendo com HIV que mantêm carga viral indetectável de forma sustentada não transmitem o HIV por via sexual: é o princípio Indetectável = Intransmissível (I=I).
2. Diagnóstico precoce faz diferença
Saber o diagnóstico permite iniciar o acompanhamento e o tratamento no momento adequado.
O teste para HIV faz parte da estratégia de prevenção e cuidado. Em caso de exposição de risco, também é importante procurar atendimento para avaliar testagem, PEP e outras medidas de prevenção.
Quanto antes se conhece o diagnóstico, antes se pode cuidar.
3. Sorodiscordância: quando um vive com HIV e o outro não
Um casal sorodiferente é aquele em que uma pessoa vive com HIV e a outra não.
Quando a pessoa vivendo com HIV está em tratamento e mantém carga viral indetectável de forma sustentada, não há transmissão sexual do HIV. Isso é I=I.
A sorodiscordância, portanto, não impede uma vida afetiva e sexual. O cuidado deve envolver informação, acompanhamento e decisões compartilhadas sobre prevenção.
4. PrEP: prevenção antes da exposição
A PrEP, ou Profilaxia Pré-Exposição, utiliza medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição ao HIV para reduzir o risco de infecção.
Hoje existem diferentes estratégias de PrEP oral, incluindo o uso diário e, para determinadas pessoas, a modalidade sob demanda conforme os critérios do protocolo brasileiro.
A PrEP é indicada para pessoas que apresentam contexto de maior vulnerabilidade ao HIV e deve fazer parte de um acompanhamento de saúde, com testagem para HIV e acompanhamento de outras ISTs.
5. PrEP injetável de longa duração
A PrEP também avançou para opções de longa duração.
O cabotegravir injetável foi registrado pela Anvisa para PrEP, oferecendo uma alternativa que não depende da tomada diária de comprimidos.
Em 2026, o lenacapavir também recebeu indicação da Anvisa para PrEP.
No SUS, a incorporação dessas tecnologias está em processo de avaliação e ampliação.
6. PEP: quando a exposição já aconteceu
A PEP, ou Profilaxia Pós-Exposição, é uma medida de urgência para reduzir o risco de infecção pelo HIV depois de uma exposição de risco.
Pode ser indicada, por exemplo, após relação sexual sem preservativo ou com rompimento, violência sexual ou acidente ocupacional com material biológico.
A PEP deve ser iniciada o mais rápido possível e, no máximo, até 72 horas após a exposição. O tratamento dura 28 dias e deve ser acompanhado por uma equipe de saúde.
Uma diferença simples para guardar:
PrEP → antes da exposição.
PEP → depois da exposição.
7. E onde entra o infectologista?
O acompanhamento não precisa ser uma consulta baseada apenas em carga viral e CD4.
É também o espaço para conversar sobre tratamento, efeitos adversos, prevenção, sexualidade, relacionamentos, sorodiscordância, PrEP, PEP, envelhecimento, saúde emocional e qualidade de vida.
Porque cuidar do HIV é tratar a infecção sem perder de vista a pessoa.